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Fisioterapia em Paciente Queimado - Relato de caso Imprimir E-mail
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Trabalho realizado por:

Alessandra Borel de Almeida.

Camila Lula do Amaral.

Dhaiara Maria Arruda Barbosa.

Iasmin Dourado Giaretton.

Keila Haiane Miranda dos Santos.

Michelle Porto Guarnieri.

Contato: mi_guarnieri92@hotmail.com

Acadêmicos do Curso de Fisioterapia, Faculdade São Francisco de Barreiras- FASB, Barreiras/ BA.

Orientadora:

Ramili Machado Sales.

Professora do Curso de Fisioterapia, Faculdade São Francisco de Barreiras – FASB, Barreiras/BA.

 

Resumo

Uma queimadura é a lesão tecidual causada por excesso de calor, eletricidade, radioatividade ou por produtos químicos corrosivos que desnaturam as proteínas das células da pele. A atuação da fisioterapia tem como objetivo evitar complicações pulmonares, prevenir deformidades e contraturas até a completa maturação das cicatrizes, e acompanhamento das reconstruções estéticas e funcionais. Sendo assim, esse estudo ressalta a importância da fisioterapia no paciente queimado, através de um relato de caso, cujo principal objetivo baseia-se em expor a necessidade do tratamento fisioterápico na unidade de queimados. Foi utilizado o método qualitativo e descritivo tendo como base o prontuário de um paciente para acesso dos dados necessários, como o quadro clínico, admissão, evolução e condutas profissionais realizadas no mesmo. Através da análise do prontuário foi possível constatar que a fisioterapia de forma intensiva mostrou-se efetiva na melhora do quadro do paciente, obtendo alta hospitalar precoce, com padrões motores, neurológicos e respiratórios satisfatórios. Por conseguinte, tal pesquisa comprovou a eficácia da fisioterapia no quadro clínico do paciente queimado, tornando-o capaz de levar uma vida normal e sem sequelas.

Palavras Chave: Fisioterapia, reabilitação, queimaduras.

 

1. Introdução

Segundo Costa, Freitas e Santos (2010) a epiderme e a derme são componentes da pele humana, responsável pela primeira linha de proteção do organismo contra agentes externos. Quando ocorrem lesões nas camadas da pele, esse mecanismo de proteção é prejudicado, e a cicatrização da área é iniciada com o objetivo de reconstituir as camadas lesadas de acordo com o mecanismo cicatricial de cada camada. Quando uma queimadura lesa somente a epiderme, ocorre a epitelização. O processo de cicatrização da derme é dividido em fases inflamatória, proliferativa e de maturação.

Para Bravo, Vale e Serra (2006) a queimadura é muitas vezes definida como uma lesão tecidual resultante da ação direta ou indireta do calor sobre o organismo humano, podendo resultar de diferentes fontes térmicas (líquidos quentes, fogo, eletricidade, radioatividade, etc), causando comprometimento parcial ou total das funções das camadas da pele atingidas por essa lesão.

Oliveira e Leonardi (2012) citam que segundo o Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, as lesões podem ser classificadas, de acordo com a profundidade, em primeiro, segundo ou terceiro grau. A lesão de primeiro grau atinge a camada mais externa da pele, a epiderme, apresenta edema, dor e hiperemia local; as lesões de segundo grau atingem tanto a epiderme como a parte da derme, sendo característica típica a presença de bolhas ou flictemas, e podem ser diferenciadas em superficial, quando atingem toda a epiderme e parte da derme, conservando folículos pilosos e glândulas sudoríparas; ou profunda, quando envolvem a destruição de quase toda a derme, apresentando coloração mais pálida e menos dolorosa; a lesão de terceiro grau acomete todas as camadas da pele, podendo chegar ao tecido ósseo.

Kluber, Moriguche e Cruz (2002) apontam que segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, no Brasil, acontece um milhão de casos de queimaduras a cada ano, 200 mil são atendidos em serviços de emergência e 40 mil demandam hospitalização, estando entre as principais causas de morte registradas no país. De acordo com a profundidade e extensão da superfície corporal queimada, o prognostico se agrava proporcionalmente ao nível de abrangência, comprometendo o funcionamento do organismo e favorecendo complicações do reparo tecidual no local afetado.

Quando se faz uma avaliação das causas das queimaduras, observa-se que, na maioria das vezes, a falta de cuidado é o principal elemento responsável. O manuseio descuidado de produtos em altas temperaturas, como líquidos quentes ou objetos incandescentes, e a atividade de crianças em ambientes perigosos, como a cozinha, podem ser considerados como a principal causa desta terrível lesão que é a queimadura. (Rocha; Rocha ; Souza, 2010)

Segundo Oliveira e Leonardi (2012) além de cicatrizes, as queimaduras podem levar a outras seqüelas físicas, como contraturas, alterações anatômicas, fisiológicas, endócrinas e imunológicas. A distorção da própria imagem e os danos emocionais podem levar, em alguns casos, à piora da qualidade de vida dos pacientes. Assim sendo, a fisioterapia têm um importante papel na reabilitação deste paciente, evitando tais complicações mencionadas.

Em queimaduras, a fisioterapia acompanha o paciente desde a fase inicial do tratamento, evitando complicações pulmonares e prevenindo deformidades e contraturas até a completa maturação das cicatrizes, e acompanhamento das reconstruções estéticas e funcionais. Ter um fisioterapeuta como parte da equipe de queimaduras é essencial. O terapeuta físico tem capacidade de entender os objetivos médicos, as modalidades de tratamento e o comportamento do paciente, já que tem uma compreensão da magnitude da queimadura, das seqüelas sistêmicas, das complicações e do prognóstico geral. (COSTA, et all. 2009).


2. Relato de Caso:

Paciente, R.S.F., sexo masculino, 17 anos, foi admitido no Hospital do Oeste (HO) proveniente do Hospital Municipal Carmela Dutra em Bom Jesus da Lapa, vítima de choque elétrico com queimaduras de 2° e 3° graus no tronco anterior, membro superior direito e membros inferiores, apresentando menor número de escaras na axila esquerda, polegar esquerdo, face interna do membro superior direito e coxa direita. Foi realizado enxerto em MSD, tronco e MID. A área da lesão corporal atingida corresponde a mais ou menos 56% sendo este considerado um grande queimado por ser uma paciente traumatizado grave,de grande risco,que necessita de atendimento emergencial, multidisciplinar pré-programado.

Na avaliação da fisioterapia observou-se o nível de consciência do paciente, onde se encontrava lúcido, orientado em tempo e espaço, calmo, padrão respiratório torácico, em ventilação espontânea, MV+ SRA, ADM diminuída e dolorosa em MSD e MID e deambulando.

O plano terapêutico baseia-se em auxílio na balneoterapia, cinesioterapia global e deambulação. Durante a internação as condutas realizadas na balneoterapia foi cinesioterapia passiva global sob efeito anestésico, posteriormente no leito o fisioterapeuta realizou alongamento ativo-assistido, mobilização articular, bombeamento Tíbio-Társico, fortalecimento de quadríceps em contração isométrica e exercícios de reexpansão pulmonar.

 

3. Resultados Alcançados:

A fisioterapia com o programa de tratamento intensivo, ou seja, diariamente na balneoterapia e no leito realizando duas vezes ao dia durante sua internação, obteve grande contribuição para a reabilitação desse paciente, acelerando o processo de recuperação e diminuindo seu tempo de internação, de acordo com as condutas realizadas o paciente apresentou alterações no seu quadro clínico, sendo que este recebeu alta com ADM significativamente preservada, deambulando e realizando suas AVD’s de forma mais dependente possível.


4. Discussão

Fabrini (2012) afirma que a reabilitação do paciente queimado começa no momento em que o paciente chega ao hospital, sendo um processo sempre mutável, de preferência modificado diariamente. Se o trabalho for realizado por profissionais especializados e dedicados ao programa de reabilitação, o paciente queimado pode, certamente, retornar a uma vida produtiva. Para a maioria dos pacientes, a fase mais difícil de reabilitação ocorre após o processo de cicatrização das feridas. Após a avaliação inicial, o fisioterapeuta dará início à avaliação da capacidade do paciente em movimentar-se, e medirá a amplitude de movimentos disponível do paciente e se houve comprometimento em outros sistemas.

A fisioterapia é de extrema importância na reabilitação do paciente queimado, restabelecendo sua funcionalidade, no que se refere à prevenção e/ou diminuição das sequelas físicas e motoras que podem ocorrer devido à lesão. Os parâmetros clínicos comparados antes e após a submissão dos pacientes ao tratamento fisioterapêutico apresentaram valor preditivo significativo em todas as variáveis, ratificando a importância desse serviço na reabilitação. Além disso, pode-se verificar a adesão da fisioterapia no serviço de queimados da unidade hospitalar estudada, sendo notória a atuação interdisciplinar. ( SANTANA; BRITO e COSTA, 2012).

Segundo Sullivan & Schmitz (1993), durante a balneoterapia o fisioterapeuta realiza condutas com o objetivo: Obter uma ferida de queimadura limpa; Manter a amplitude de movimento e a mobilidade cutânea; Reduzir o edema; Manter a força e a resistência muscular;Impedir complicações e reduzir as contraturas cicatriciais; Manter adequada função respiratória e cardiovascular; Proporcionar boa cicatrização pelo melhor alinhamento das fibras cicatriciais; Evitar seqüelas ou auxiliar no tratamento de seqüelas já instaladas; Readquirir o máximo de função para o paciente;Proporcionar o retorno o mais rápido possível às AVD’s com independência; Ajudar o paciente a retornar a uma vida ativa dentro da sociedade.

O fisioterapeuta possui aptidões específicas, certas metodologias e linhas de conhecimento que irão atuar no tratamento. Para cada fase cronológica do avanço da queimadura, o fisioterapeuta possui um recurso específico que irá permitir que a lesão se cicatrize de maneira correta e evitando complicações futuras. (GUIRRO; GUIRRO, 2007).

O mesmo autor relata que a técnica cinesioterapia geral, aplicada quando o paciente ainda está em fase de recuperação, pode ser muito incômoda e dolorosa, mas a atividade física precoce para este individuo é de extrema importância para a manutenção da amplitude articular . A deambulação também deve ser iniciada precocemente a fim de só em áreas adjacentes à queimadura, mas, sim na própria região lesada.

O exercício ativo é encorajado em todas as áreas queimadas. O exercício ativo tem início no primeiro dia. Outras formas de exercício só devem ser utilizadas apenas se a confusão, dor ou outras complicações impedem o exercício ativo. Todas as articulações, mesmo das regiões não queimadas, devem passar por exercícios ativos de amplitude integral. Geralmente, a amplitude de movimentos ativos, são realizadas pelo menos três vezes ao dia. Os dispositivos resistidos podem ser usados nas áreas que não foram queimadas para a manutenção da força muscular. (PORTER, 2005).


5. Conclusão

Com isso, destaca-se a essencialidade do acompanhamento fisioterápico, em relação às alterações motoras secundárias às queimaduras, que refletem diretamente na qualidade de vida do individuo, assim como também em seu estado físico e psicológico. Devido à seriedade das complicações, a fisioterapia é bastante intensa nessa área, pois a mesma visa preservar o máximo de funções, promover maior grau de independência e redução do período de internação. Com base nisso pode-se observar que o trabalho fisioterápico obteve grandes resultados, como a alta hospitalar precoce, funções preservadas e grau significativo de independência do paciente. Diante desses benefícios que a fisioterapia proporcionou ao mesmo, constata-se que é indispensável o tratamento ainda na balneoterapia, para que todos os contratempos sejam prevenidos.

 

Referências

BRAVO, BSF; VALE, ECS; SERRA, MC. Assuntos de interesse em dermatologia. 4a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006

COSTA, AP; et all. A importância da Liga Acadêmica de Queimaduras. Rev Bras Queimaduras. 2009;8(3):101-5.

COSTA, Sharin de Assis; FREITAS, Angela Miranda de; SANTOS, Carina Oliveira dos. Efeitos da aplicação de microcorrente no processo de reparo tecidual de queimaduras. Fisioterapia Brasil - Volume 11 - Número 2 - março/abril de 2010

FABRINI; Fisioterapia em Queimados, 2012 disponível em http://nasfcariri.blogspot.com.br/2012/10/a-fisioterapia-em-queimados.html acessado em 05\04\13

GUIRRO, E; GUIRRO, R. Fisioterapia DermatoFuncional: Fundamentos, Recursos e Patologias. Barueri, SP: Manole, 2007.

KLUBER, L; MORIGUCHE, EH; CRUZ, IBM. A influência da fisioterapia na qualidade de vida em mulheres com incontinência urinaria: revisão. Rev Med PUCRS 2002;12(3):243-9.

OLIVEIRA, Daniele Sguissardi de; LEONARDI, Dilmar Francisco. Seqüelas físicas em pacientes pediátricos que sofreram queimaduras. Rev Bras Queimaduras Vol. 11 nº 4 - Out/Nov/Dez de 2012

O’SULLIVAN, Susan B.; SCHMITZ, Thomas J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2ª ed. São Paulo: 1993.

PORTER, S. Fisioterapia de Tidy. 13 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

ROCHA, Marília Sampaio; ROCHA, Emília Sampaio; SOUZA, João Paulo Campos de. Fisioterapia em queimados: uma pesquisa Bibliográfica acerca dos principais recursos Fisioterapêuticos e seus benefícios. Campina Grande v. 9, números 13/14 - Julho 2009 / Junho 2010

TEIXEIRA LHOL, MEJIA DPM. Abordagem da Fisioterapia em Pacientes Pós Queimaduras. Pós-graduação em Fisioterapia Dermatofuncional da Faculdade Ávila. 2011.

 

 

Obs:

- Todo direito e responsabilidade do conteúdo são de seus autores.

- Publicado em 04/12/2013.


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