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Atuação da Equoterapia na Reabilitação Motora do Portador de Síndrome de Down: Uma Revisão da Literatura Imprimir E-mail
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Performance of equotherapy in down syndrome motor rehabilitation: a literature review

 

Trabalho realizado por:

- Aline Molina Dias¹

- Edna Maria Ferreira de Andrade Fava2

- Juliana Terezinha Silvestre3

- Léa Tatiana Souza4

 

1. Pós-graduanda em Fisioterapia Neurofuncional com ênfase Pediátrica

(Faculdade Inspirar /Campo Grande/ MS/ Brasil) alinemolina23@gmail.com

2. Pós-graduanda em Fisioterapia Neurofuncional com ênfase Pediátrica

(Faculdade Inspirar /Campo Grande/ MS/ Brasil) edna.m.fava@gmail.com

3. Pós-graduanda em Fisioterapia Neurofuncional com ênfase Pediátrica,

(Faculdade Inspirar/Campo Grande/MS/Brasil) julysilvestreninha@hotmail.com.

4. Mestre em Fisioterapia – Orientadora (Brasil)

 

RESUMO

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. Este recurso tem sido adotado como uma alternativa de reabilitação complementar para tratar a Síndrome de Down, considerada uma condição genética causada por alteração no par do cromossomo 21. Realizou-se uma revisão de literatura com base em dados obtidos de artigos científicos encontrados em bibliotecas virtuais de acessos gratuitos, Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde), Lilacs, Pubmed Google Schoolar, Scielo, livros-textos, entre outros sites de relevância que abordavam a temática. Foram feitas combinações dos seguintes descritores do DeCS: Equoterapia, Síndrome de Down, Fisioterapia. Foram incluídos artigos entre os anos de 2013 a 2018. O objetivo desse estudo foi investigar e analisar as contribuições da equoterapia na reabilitação motora do portador de Síndrome de Down. Os resultados dos dados coletados revelam a eficácia deste método terapêutico na obtenção do equilíbrio, desenvolvimento motor, força muscular, alinhamento postural e melhora da independência. Sugerem-se novos estudos a fim de estabelecer consenso acerca dos parâmetros metodológicos com abordagem mais aprofundada do assunto.

 

Palavras-chaves: Equoterapia, Síndrome de Down, Fisioterapia.

 

ABSTRACT

Equine therapy is a therapeutic method that uses the horse within an interdisciplinary approach in the areas of health, education and riding, seeking the biopsychosocial development of people with disabilities and / or with special needs. This feature has been adopted as a complementary rehabilitation alternative to treat Down Syndrome, considered a genetic condition caused by a change in the pair of chromosome 21. A review of the literature was carried out based on data obtained from scientific articles found in free virtual libraries of free accesses, Bireme (Virtual Health Library), Lilacs, Pubmed Google Schoolar, Scielo, textbooks, among other relevant sites that addressed thematic. Combinations of the following DeCS descriptors were made: Equoterapia, Down Syndrome, Physiotherapy.

Articles were included between the years of 2013 and 2018. The aim of this study was to investigate and analyze the contributions of equine therapy in the motor rehabilitation of the Down Syndrome patient. The results of the collected data reveal the efficacy of this therapeutic method in achieving balance, motor development, muscle strength, postural alignment and improvement of independence. Further studies are suggested in order to establish consensus on methodological parameters with a more in-depth approach to the subject.

 

Keywords: Equine Therapy, Down Syndrome, Physiotherapy.

 

1 INTRODUÇÃO

A prática da equoterapia no Brasil começou em 1989, e tem sua base na Associação Nacional de Equoterapia (ANDE), na Granja do Torto, localizado em Brasília DF, fundada por militares oriundos do Exército Brasileiro e pessoas Civis, sendo reconhecida como recurso terapêutico pelo Conselho Federal de Medicina, em 1997 e pelo Conselho Federal de Fisioterapia em 2008 (ANDE- Brasil, 2013).

De acordo com ANDE o conceito da equoterapia pode ser definido como um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais.

A característica mais importante para equoterapia é o movimento tridimensional, provocado pela andadura ao passo do cavalo, que se traduz, no plano vertical, em um movimento para cima e para baixo; no plano horizontal, em um movimento para direita e para esquerda, segundo o eixo transversal do cavalo; e um movimento para frente e para trás, segundo o eixo longitudinal, resultando em uma série de movimentos sequenciados e simultâneos (UZUN, 2005 apud SILVA; SOUZA, 2014; ANDE- BRASIL, 2013).

Este movimento proporcionado pelo dorso do cavalo excita a estimulação sensorial de terminações neuromusculares, fazendo com que assim ocorra o desenvolvimento de habilidades motoras, facilitando a independência das atividades de vida diária (MEDEIROS, 2002 apud ALMADO et al., 2018).

Conforme Espíndula et al. (2014) a marcha tridimensional do cavalo transmite movimentos ao cavaleiro, e este, para se manter sobre o animal deve realizar ajustes posturais partindo da pelve, tronco, membros superiores e cabeça.

Cada passo do cavalo produz de 1 (um) a 1,25 (um e vinte e cinco) movimentos por segundo. Em 30 minutos de trabalho, o cavaleiro executa de 1.800 (um mil e oitocentos) a 2.250 (dois mil e duzentos e cinquenta) (ANDE- BRASIL, 2013).

As experiências provocadas pelos movimentos dos cavalos, associada a uma postura nova, pode estimular a potencialidade plástica do sistema nervoso central por meio de estímulos sensitivos motores que podem interferir diretamente no desenvolvimento global e na aquisição de habilidades motoras (TORQUATO et al., 2013).

Sendo assim, a equoterapia tem sido adotada como uma alternativa de reabilitação complementar para tratar a Síndrome de Down.

Seu conceito baseia-se em uma condição genética causada por alteração no par do cromossomo 21 e que leva a uma distribuição cromossômica inadequada durante a fase de meiose. Desta forma, a célula do individuo normal possui 46 cromossomos, estes estão divididos em 23 pares; no portador da síndrome de Down, o par de números 21 possui um cromossomo a mais, resultando em 47 cromossomos (TORQUATO et al., 2013; SILVA; SOUZA, 2014; ARARUNA et al., 2015; GARCIA et al., 2016).

Ainda não existe no Brasil uma estatística específica sobre o número de brasileiros com a Síndrome de Down, porém estima cerca de 270 mil pessoas com esta síndrome no país (FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN, 2013).

Sua origem é de difícil identificação e engloba fatores genéticos e ambientais. As causas são inúmeras e complexas, envolvendo fatores pré, peri e pós-natais (SOARES, 2016 apud ALMADO et al., 2018).

Dentre algumas alterações apresentadas estão à hipoplásica cerebral, causadora da hipotonia, frouxidão ligamentar, alterações biomecânicas, discrepância na densidade óssea, hipoplásica de cartilagem, o que influência na manutenção ou falta de equilíbrio e déficit de força muscular. Apresentam também problemas auditivos e cardíacos com tendência a obesidade (BORSSATTI, 2013; ESPÍNDULA et al., 2015).

Já em relação às características físicas mais comumente observadas, destacam-se: língua saliente, dentes pequenos, pele seca, nuca reta, pescoço curto, mãos grossas e curtas, prega única na palma das mãos, cabelo falho e fino, nariz achatado; prega epicantal e baixa estatura (SCHAWARTZAMAN, 1999 apud SILVA; SOUZA, 2014).

Segundo Liporoni (2005) apud Silva e Ribeiro (2014), os benefícios terapêuticos da equoterapia para essa população são significativos e variam conforme o número de sessões realizadas. Observa-se melhora da postura, equilíbrio, força muscular, coordenação de movimentos, estimulação da sensibilidade, ritmo, adequação de tônus, coordenação motora fina, organização e consciência corporal, interação sensorial, memória, concentração, superação de medos, independência e afetividade.

A reabilitação motora através do cavalo tem interesse científico recente e ainda carece de pesquisas, assim sendo, surge à necessidade de aprofundamento nesta área.

Mediante a importância do assunto, os profissionais da área da saúde devem dar maior atenção a essa prática visando ampliar, buscar e compreender os reais efeitos motores que este tratamento complementar a fisioterapia poderá oferecer aos seus pacientes.

Sendo assim, essa revisão de literatura tem como objetivo investigar e analisar as contribuições da atuação da equoterapia na reabilitação motora do portador de Síndrome de Down com o intuito de gerar informações atualizadas a estes profissionais.

 

 

1 METODOLOGIA

Foi realizada uma pesquisa de caráter observacional, descritiva, tipo revisão de literatura, constituída de artigos científicos encontrados em bibliotecas virtuais de acessos gratuitos, Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde), Lilacs, Pubmed (Publicações Médicas), Google Schoolar, Scielo, livros-textos, entre outros sites de relevância que abordavam a temática. Foram feitas combinações dos seguintes descritores do DeCS: Equoterapia, Síndrome de Down, Fisioterapia, no idioma: português; após a seleção dos estudos, foi realizado um fichamento do material encontrado. Todos os artigos passaram por uma análise de resumo e foram selecionados aqueles que tinham os seguintes critérios de inclusão: artigo original, revisão de literatura, estudos observacionais, estudos qualitativos e estudos experimentais, que falassem sobre a reabilitação motora através da equoterapia em pacientes diagnosticados com Síndrome de Down em qualquer faixa etária de idade, considerando o período de 2013 a 2018.

Os artigos que apresentaram esses critérios tiveram seus conteúdos revisados na íntegra e passaram por análise crítica e confrontadas com outras publicações sobre o assunto.

Como critério de exclusão: Intervenção da equoterapia em pacientes diagnosticados com outras patologias, bem como outros tipos de terapias complementares não condizentes com o presente tema da pesquisa.

O presente artigo, por se tratar de pesquisa de revisão bibliográfica, não necessitou ser apreciado por comitê de ética em pesquisa com seres humanos.

 

2 RESULTADOS

De acordo com o levantamento, todos os achados foram ultilizados conforme estabelecido nos critérios metodológicos. Sendo (15) quinze artigos, (3) três anais e (2) duas monografias de conclusão de curso (graduação em fisioterapia), relacionados entre Equoterapia e Síndrome de Down, indexados entre 2013 e 2018; totalizando 20 estudos no geral; sendo, (3) três como experimentais, (7) sete como transversal, e (10) dez revisão de literatura, como ilustra a tabela 01.

 

Tabela 01. Descrição dos estudos sobre atuação da equoterapia na reabilitação motora do portador da Síndrome de Down.

Titulo

Autores

Conclusão

Publicação

Os efeitos da equoterapia no equilíbrio de praticantes com Síndrome de Down.

 

Fernandes et al., 2018.

Conclui-se que a equoterapia vem sendo aprimorada cada vez mais e que são grandiosos os resultados sobre a melhora do equilíbrio

Revista Psicologia e Saúde em Debate

A utilização da equoterapia no tratamento da síndrome de Down.

 

Silva; Sousa; 2014.

Conclui-se o quanto é significativo o uso da equoterapia como auxiliadora no tratamento desta Síndrome. Através dos dados foi verificado melhora em termos genéricos dos casos analisados.

 

Getec v3

A aquisição da motricidade em crianças portadoras de síndrome de Down que realizam fisioterapia ou praticam equoterapia.

 

Torquato et al., 2013.

A fisioterapia convencional teve influência positiva na obtenção das aquisições motoras e do equilíbrio estático e dinâmico em portadores de Síndrome de Down.

 

Fisioterapia Movimento

Desenvolvimento motor em crianças portadoras da síndrome de Down com o tratamento de Equoterapia

 

Araruna; Lima; Prumes; 2015.

A equoterapia traz benefícios para o desenvolvimento motor da criança portadora de síndrome de Down.

Revista Pesquisa em Fisioterapia

Os benefícios da Equoterapia na criança portadora da Síndrome de Down.

 

Batemarque, 2017.

Uma boa interação psicossocial e juntamente com a estimulação da psicomotricidade, pode trazer inúmeros resultados positivos para a criança com Síndrome de Down.

 

Monografia Universidade de Cuiabá- UNIC

Efeitos da equoterapia na postura de indivíduos com Síndrome de Down.

 

Espindula et al., 2016.

Os indivíduos com síndrome de Down apresentaram mudanças satisfatórias no comportamento motor que refletiram em uma melhora da postura estática após o tratamento na equoterapia.

 

Fisioterapia em Movimento

Benefícios da equoterapia em crianças com Síndrome de Down.

 

Santos et al., 2017.

A Equoterapia contribui no desenvolvimento social, psicomotor e cognitivo do paciente. Tais aspectos adquiridos ao longo do tratamento desta técnica são, em suma, parte dos objetivos da conduta para com a criança com Síndrome de Down.

 

Rev. Cient. de Ciências Apl.  da FAIP

Avaliação eletromiográfica dos membros inferiores de pacientes com síndrome de Down na equoterapia.

 

Ribeiro et al., 2017.

Observou-se que a ativação muscular dos músculos estudados aumentou com o passar das sessões, independente da frequência semanal de atendimento; mas o período sem tratamento resultou em redução deste efeito.

Acta Scientiarum. Health Sciences

 

Efeitos da equoterapia em relação ao equilíbrio na Síndrome de Down.

 

Cezário et al., 2016.

Os resultados obtidos pelo presente estudo revelam a eficácia da Equoterapia na obtenção do equilíbrio em crianças com Síndrome de Down.

 

Vitrine Prod. Acad., Curitiba.

Equoterapia como recurso de tratamento para Criança com síndrome de Down.

 

Almado et., 2018.

Pode-se dizer que a equoterapia juntamente com a fisioterapia tem um papel fundamental na reabilitação de crianças com síndrome de Down.

 

Revista Conexão Eletrônica

Avaliação postural pré e pós-tratamento equoterapêutico em indivíduos com síndrome de Down

 

Ribeiro et al., 2016.

A Equoterapia promoveu mudanças posturais, com melhora do alinhamento de membros inferiores em indivíduos com Síndrome de Down.

 

 

Conscientiae saúde

Material de montaria para equoterapia em indivíduos com síndrome de Down: Estudo eletromiográfico.

 

Espindula et al., 2014.

Por meio desse estudo piloto, conclui que a manta com pés fora do estribo promoveu uma melhor otimização do tônus dos indivíduos analisados.

 

Conscientiae saúde

Efeito da equoterapia na coordenação motora global em sujeitos com Síndrome de Down

 

Costa et al., 2017.

A equoterapia apresenta benefícios de melhora na coordenação motora global. Especificamente nas tarefas como a trave de equilíbrio, salto monopedal e salto lateral, além da coordenação motora global.

 

 

Fisioterapia em Movimento

O efeito da equoterapia no tratamento de crianças com síndrome de Down.

 

Silva; Ribeiro; 2014.

A equoterapia proporciona melhora no equilíbrio estático e dinâmico, ganho de força muscular dos membros, ajustes tônicos e consequente melhora na marcha.

Monografia Fundação Universitária Vida Cristã

 

Benefícios da equoterapia no tratamento de pacientes com síndrome de Down.

 

Vargas et al., 2016.

Os estudos encontrados demonstraram o quão importante é o trabalho da equoterapia, não só na reabilitação, como também, na reconstituição do bem-estar físico e emocional destes pacientes.

ANAIS- Salão Internacional de Ensino UNIPAMPA

A eficácia da equoterapia em pacientes com síndrome de Down.

 

Treicha et al., 2016.

Os estudos demonstraram o quão importante é o trabalho da equoterapia, não só na reabilitação, como também, na reconstituição do bem-estar físico e emocional.

ANAIS- 13ª amostra de iniciação cientifica

Efeitos fisioterapêuticos da equoterapia e Hidroterapia no tratamento da criança com Síndrome de Down.

Souza; Duarte, 2017.

 

Através dessa pesquisa pôde-se concluir que tanto a equoterapia quanto a hidroterapia, são métodos eficazes no tratamento da criança com Síndrome de Down.

 

ANAIS- XI Fórum cientifico FAP

Ganho de equilíbrio em crianças portadoras de síndrome de Down praticantes de equoterapia.

 

Gonçalves; Lefevre, 2013.

Estas estão sendo estimuladas, de acordo com a programação estabelecida pelo projeto. Posteriormente será feita nova avaliação comparativa para verificar a ocorrência de ganho no equilíbrio.

 

Revista Educação

Avaliação muscular eletromiográfica em pacientes com síndrome de Down submetidos à equoterapia.

 

Espindula et al., 2015.

A Equoterapia contribuiu para uma melhor ativação dos músculos estudados, auxiliando assim para uma melhor qualidade de vida.

 

 

Revista Neurociência

Atuação da equoterapia em crianças com Síndrome de Down.

 

Saraiva, Liberato, 2016

A utilização da Equoterapia em crianças portadoras de Síndrome de Down está cada vez mais adquirindo reconhecimento e com o passar do tempo ficando comprovado que a mesma está proporcionando benefícios extraordinários.

EFDeportes.Revista Digital Buenos Aires

 

3 DISCUSSÃO

O propósito dessa revisão foi buscar e analisar as evidências científicas sobre atuação da equoterapia em portadores da Síndrome de Down, verificando os principais resultados sobre os aspectos motores.

Com relação à definição de equoterapia e Síndrome de Down os autores investigados foram coesos.

Todos os autores relatam que a equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou de necessidades especiais (ANDE-BRASIL, 2013; SARAIVA; LIBERATO, 2016; BEVILACQUA et al., 2016).

De uma forma geral, os autores revisados conceituam a Síndrome de Down decorrente de um erro genético localizado no par de cromossomos 21, cada cromossomo é composto por dois pares de células somatizando 46 cromossomos, já nesta síndrome existem três pares de células, totalizando 47 cromossomos, sendo classificada em três tipos: trissomia simples sendo o tipo mais comum encontrado em aproximadamente 95% dos casos, trissomia de translocação encontrado em 4% dos casos e trissomia do mosaicismo encontrado em apenas 1% dos casos (TORQUATO et al., 2013; SILVA; SOUZA, 2014; ARARUNA et al., 2015; GARCIA et al., 2016).

Não foram levados em consideração tratamentos e intervenções relacionadas à equoterapia com outras síndromes e patologias descritas na literatura.

Salientaram-se tratamento equoterapêutico, visando os principais resultados sobre os aspectos motores da temática escolhida.

Os estudos analisados citaram em sua maioria os movimentos tridimensionais do cavalo como principal recurso cinesioterapêutico.

Torquato et al. (2013) correlacionou a fisioterapia convencional e a equoterapia com objetivo de verificar a aquisição de marcos motores em crianças portadoras de Síndrome de Down. Os autores concluíram que a equoterapia e a fisioterapia convencional influenciaram positivamente na aquisição de motricidade nesses pacientes, sendo mais evidente no grupo da fisioterapia.

Entretanto a maior parte dos autores revisados defende o ganho de equilíbrio, entre outros ganhos motores através da prática de equoterapia.

Observou-se que a maioria das pesquisas descreve uma melhora significativa do equilíbrio nessa população investigada e apontam sua eficácia, podendo ser utilizado como método complementar na reabilitação (SILVA; RIBEIRO, 2014; CEZÁRIO et al., 2016; FERNANDES et al., 2018).

Cezário et al. (2016), através do seu estudo experimental destacam que a equoterapia traz melhora significativa em relação ao equilíbrio das crianças com Síndrome de Down. Foram realizados testes de avaliação na escala de Berg, quanto na de Tinetti. A pesquisa foi composta por 5 crianças, e o tratamento consistiu na aplicação de 10 atendimentos de 30 minutos, 2 vezes na semana, seguindo o protocolo adaptado da ANDE Brasil.

É importante salientar que inúmeras pesquisas ainda estão sendo realizadas com este enfoque, dentre estas, podemos citar a pesquisa dirigida pelas autoras Gonçalves e Lefevre, (2013) com apoio do Programa Institucional de Iniciação Científica da Universidade Guarulhos, no qual participam dessa pesquisa crianças de ambos os gêneros, com idade entre 2 anos e 5 anos. As sessões de equoterapia são desenvolvidas uma vez por semana com duração de 40 minutos. Até o momento foram avaliadas 2 crianças com idades entre 3 e 4 anos, que obtiveram déficit de equilíbrio importante durante avaliação. Essas crianças estão sendo estimuladas no cavalo, e posteriormente será feita nova avaliação comparativa para verificar a ocorrência de ganho no equilíbrio. Espera-se que, após o programa, os praticantes apresentem ganho significativo de equilíbrio.

Para os autores Saraiva e Liberato (2016) e Araruna et al. (2015) concluíram em seus estudos de revisão bibliográfica que a equoterapia traz benefícios para o desenvolvimento motor da criança portadora de síndrome de Down.

Costa et al. (2017) também constataram melhora na coordenação motora global, especificamente nas tarefas como trave de equilíbrio, salto monopedal e salto lateral, nesses indivíduos de ambos os gêneros, comparando com a mesma síndrome e que não praticavam equoterapia.

A pesquisa conduzidas por Espindula et al. (2014) é muito importante, visto que, foi o único estudo encontrado que avaliava o melhor material de montaria para esses praticantes por meio da eletromiografia. Os resultados encontrados foram: O material de montaria de manta associado com os pés fora do estribo proporcionam maior recrutamento dos músculos estudados, sendo o músculo da região cervical o mais acionado.

Sabe-se que indivíduos com síndrome de Down apresentam alterações que afetam o sistema musculoesquelético, provocando padrões anormais e alterando os eixos anatômicos morfológicos e mecânicos, podendo desencadear desalinhamentos e alterações ortopédicas (RIBEIRO et al., 2016; ESPÍNDULA et al., 2016).

Espindula et al. (2016) verificaram em sua pesquisa o alinhamento postural antes e após o tratamento equoterapêutico dos indivíduos com Síndrome de Down.

O resultado foi satisfatório, com melhoras no alinhamento de ombro, cabeça, quadril e membros inferiores, bem como diminuição da cifose e da protrusão de cabeça.

Corroborando com estes achados, Ribeiro et al. (2016), também avaliaram mudanças posturais dos praticantes submetidos a sessão de equoterapia. O resultado foi positivo com melhor alinhamento dos membros inferiores dos 5 indivíduos com Síndrome de Down.

Os dois estudos acima citado é importante para reabilitação desta população estudada, visto que a equoterapia promoveu mudanças posturais, com melhora do alinhamento.

De acordo com esses levantamentos, podemos verificar o quanto é significativo o uso da equoterapia como terapia complementar no tratamento da Síndrome de Down.

Observou-se também que a maioria dos artigos é de revisão bibliográfica sobre a temática escolhida nos últimos cinco anos, fazendo necessários novos investimentos em pesquisas sobre o assunto.

Todos os achados analisados são coerentes e demonstraram resultados positivos na melhora do equilíbrio, do desenvolvimento motor, da força muscular, alinhamento postural e melhora da independência.

 

4 CONCLUSÃO

Com a realização deste artigo de revisão de literatura foi possível observar que a equoterapia surge como uma excelente ferramenta complementar no processo de reabilitação.

Os estudos encontrados revelam a eficácia deste método terapêutico na obtenção do equilíbrio, desenvolvimento motor, força muscular, alinhamento postural e independência do portador da Síndrome de Down.

O aumento substancial de publicação nos últimos anos vem refletindo positivamente no reconhecimento desta terapia pelos profissionais da saúde.

No entanto, ao avaliar a produção científica relacionada ao tema, as intervenções não seguem padrões, e variam demasiadamente os números de sessões semanais, duração

Sugerem-se novos estudos que possam estabelecer consenso acerca dos parâmetros metodológicos com abordagem mais aprofundada do assunto.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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- Publicado em MARÇO/2019.

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