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Abordagem Fisioterapêutica quanto a Prevenção de Quedas em Idosos E-mail
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Physioatherapeutic Approach for Prevention of Falls in the Elderly

 

Trabalho realizado por:

Daniela Luiza Silva.

Fisioterapeuta, especialista em cardiorrespiratória geral e intensiva pelo CEUCLAR.

Contato: danny.luiza@hotmail.com

 

Orientadora:

Regina Célia de Oliveira.

* Fisioterapeuta, mestre pela FMRP- USP.

 

Resumo

O envelhecimento é um processo que vem acompanhado por problemas físicos e mentais que na maioria das vezes são provocados pelas doenças crônicas e podem ter como consequência as quedas. Estas são definidas como um deslocamento não-intencional do corpo para um nível diferente da sua posição inicial, onde o idoso tem dificuldade de correção da sua estrutura corporal em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais. Pode ser considerada como um evento da vida, que marca o início de um declínio da função ou sintoma de uma patologia, devido ao processo do envelhecimento. Este estudo consiste em uma revisão bibliográfica sobre quedas, realizada a partir de livros textos e artigos científicos pesquisados em periódicos e sites, no período de 2001 a 2010. Através deste, verifica-se que os números aumentam progressivamente com a idade, tanto em homens, como em mulheres e existem vários fatores de risco, intrínsecos e extrínsecos, que são causadores de quedas em pessoas idosas e que dessa forma ainda trazem consequências. A fisioterapia é um meio de prevenir que estas quedas aconteçam, evitar que novos eventos desse tipo se repitam, diminuir complicações e ainda proporcionar melhor qualidade de vida a essas pessoas.

Palavras-chave: Idosos. Quedas. Prevenção. Fisioterapia

 

Abstract

Aging is a process that is accompanied by physical and mental problems that most often are caused by chronic diseases and they could result in falls . These are defined as an unintentional displacement of the body to a different level from its initial position , where the elderly have difficulty correcting their body structure in a timely manner as determined by multifactorial circumstances. It can be considered a life event which marks the beginning of a decline in function or symptom of a pathology due to the aging process . This study consists of a literature review on falls , made from text books and scientific articles in journals and sites surveyed in the period 2001-2010 . Through this , it appears that the numbers increase progressively with age in both men and women and there are several risk factors , intrinsic and extrinsic , that are causing falls in older people and thus bring further consequences . Physical therapy is a way to prevent these falls occur , prevent further such events recur , reduce complications and provide even better quality of life for these people.

Keywords: Seniors. Falls. Prevention. physiotherapy

 

Introdução

O envelhecimento nada mais é que um conjunto de alterações das estruturas e funções do organismo que de forma progressiva e natural vão acontecendo, especificamente por causa do avanço da idade. Elas modificam o organismo e prejudicam ou dificultam a adaptação ao meio ambiente. (CANDELORO; CAROMANO, 2007).

Os idosos que apresentam enfermidades, certamente estarão com o desempenho motor prejudicado, o que levará a alterações da mobilidade, equilíbrio e controle postural, fraqueza muscular, diminuição da flexibilidade, sinergia e mecanismos de programação degradados e dificuldades no controle motor, o que será a causa das quedas desses indivíduos, que podem ser associadas a dois fatores: Intrínsecos e extrínsecos. O primeiro é devido às alterações fisiológicas, patológicas e efeitos de medicamentos, e o segundo, às circunstâncias sociais e ambientais no espaço onde vivem.

Segundo Studensk e Wolter (2008), as quedas são um deslocamento não-intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil e apoio no solo por circunstâncias multifatoriais comprometendo assim a estabilidade. Esta depende da recepção adequada de informações através de componentes sensoriais, cognitivos, do sistema nervoso central e musculoesquelético de forma integrada. Para Cunha e Guimarães (1989), a queda se dá pela perda de equilíbrio postural, podendo estar relacionada à insuficiência súbita dos mecanismos neurais e osteoarticulares envolvidos na manutenção da postura. Elas podem apresentar diversos impactos na vida de uma pessoa idosa, que podem incluir morbidade, mortalidade, deterioração funcional, hospitalização, institucionalização e consumo de serviços sociais e de saúde. Além das conseqüências diretas, os idosos restringem suas atividades devido às dores, incapacidades, o próprio medo de cair, atitudes protetoras familiares e de cuidadores.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, entre 1979 e 1995, 54.730 pessoas morreram por causa de quedas, sendo 52% pessoas idosas, com 39,8% com idade entre 80 a 89 anos.

No estado de São Paulo, nesse mesmo período foram descritos a prevalência de quedas de 30% e de quedas recorrentes em 11%.

A lesão acidental é a sexta causa de mortalidade em pessoas de 75 anos ou mais, sendo as quedas responsáveis por 70% dessa mortalidade.

Aproximadamente 40% das quedas em mulheres com mais de 75 anos resultam em fraturas, comparados com 27% em homens.

Intervenções mais eficazes baseiam-se em identificar precocemente nos idosos o mais risco nas quedas, adequação do espaço físico e ainda a prática regular de atividades físicas, que segundo Cornillon et al (2002), 10 sessões de qualquer atividade permite melhorar o desempenho dos idosos em vários testes, pois quanto mais ativa é uma pessoa, menos limitações ela tem, devido ao fato de que o exercício aumenta a força muscular, a flexibilidade e o controle motor.

Cinco fatores contribuem para o idoso ter uma vida melhor: Vida independente, casa, ocupação, afeição e comunicação. Visando o enorme número de quedas que ocorrem com a população idosas e suas conseqüências, este estudo tem como objetivo fazer uma revisão bibliográfica verificando se a fisioterapia é mesmo eficaz na prevenção de quedas em idosos.

 

Materiais e Métodos

Para a realização deste estudo foi realizado um levantamento bibliográfico na base de dados Scielo, tendo como palavras chave: Idosos, quedas, prevenção e fisioterapia. Outra estratégia adotada foi à busca no site de estudos de população, Portal Saúde do Governo do Estado de São Paulo e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Por fim, não menos importante, foi à busca de artigos por meio de autores ou de referências consideradas clássicas da literatura, no período de seleção entre 2001 a 2010 sendo realizada em conformidade com o assunto proposto.


Envelhecimento

Envelhecimento nada mais é que um conjunto de modificações que acontecem no organismo. (CANDELORO; CAROMANO, 2007)

Desde o momento em que nascemos nós passamos por transformações, dia após dia, e com isso algumas alterações aparecem em conseqüência do tempo que foi vivido. Porém, é necessário saber diferenciar os efeitos naturais do processo de envelhecimento (senescência) das alterações produzidas que podem acometer o idoso (senilidade). Ele não acontece na mesma velocidade para todas as pessoas, tudo acontece devido aos fatores hereditários e a qualidade das ações e hábitos que essa pessoa levou durante todo a sua vida, isso inclui a profissão que teve, sua alimentação, prática de exercícios físicos e cuidados com o corpo. (VERAS, 2002)

Devido a essas alterações que o organismo sofre com o envelhecimento, as quedas são ainda mais freqüentes com estas pessoas e quando elas se envolvem em quedas, na maioria das vezes se tem alguma conseqüência que acaba comprometendo a qualidade de vida e assim ficam cada vez mais temerosas que novos episódios venham a acontecer. O medo de cair faz com que haja uma diminuição nas atividades, impondo um isolamento social e depois causando ansiedade e provocando um grande estresse.

A inatividade acentua a perda de capacidades físicas, as quais são importantes para o equilíbrio, a locomoção e a independência, diminuindo as atividades físicas pelo medo de novas quedas, o que diminuirá a mobilidade articular e conseqüentemente acarretará a perda de força e do tônus muscular.

 

Alterações senis que predispõem a queda

Existem vários fatores patológicos que predispõe as quedas em pessoas idosas, por provocarem perda da função motora ou sensorial, alteração da percepção visual ou no nível de consciência, sendo assim, através do estudo de Zinni e Pussi (2003) podemos citar:

1- Problemas neurológicos:

a) Acidente Vascular Encefálico

b) Ataque isquêmico transitório

c) Parkinson

d) Convulsões

e) Insuficiência Vertebrobasilar

f) Hipersensibilidade de seio carotídeo

g) Distúrbios cerebelares

h) Neuropatias

2- Problemas cardiovasculares:

a) Infarto agudo do miocárdio

b) Hipotensão ortostática

c) Arritmia

3- Problemas gastrointestinais:

a) Sangramento

b) Diarréia

c) Síncope de defecação

4- Problemas metabólicos:

a) Hipotireoidismo

b) Hipoglicemia

c) Anemia

d) Desidratação

e) Hiponatremia geniturinário

f) Síncope miccional

g) Incontinência urinária

5- Problemas musculoesqueléticos:

a) Artrite

b) Miosite

c) Deformidade espinhal

d) Fraqueza muscular

e) Descondicionamento físico

 

Quedas

A queda é definida como uma incapacidade de corrigir o deslocamento do corpo, durante seu movimento no espaço, sendo estas entre pessoas idosas um dos principais problemas clínicos e de saúde pública, devido a sua alta incidência e as complicações para a saúde. (CARREGARO; TOLEDO, 2008). Elas apresentam diversos impactos na vida de um idoso, incluindo morbidade, mortalidade, deterioração funcional, hospitalização, institucionalização e consumo de serviços sociais e de saúde. (MASSUD; MORRIS, 2001).

A queda acidental é aquela que acontece e dificilmente voltará a se repetir, sendo decorrente de uma causa extrínseca, em geral pela presença de um fator de risco ambiental. Já a queda recorrente, expressa a presença de fatores etiológicos intrínsecos, tais como doenças crônicas, fármacos, distúrbios do equilíbrio corporal e déficits sensoriais. Há ainda, a classificação de acordo com o tempo de permanência no chão, sendo esta em que o idoso permanece caído por mais de 15 a 20 minutos por ser incapaz de levantar-se sozinho. (PEREIRA et al, 2001).

 

Epidemiologia

Em um estudo feito por Mazo et al (2007), foram avaliados 256 idosos, com idade acima de 60 anos, sendo 219 do sexo feminino e 37 do sexo masculino, com idade média de 70 anos. Duas formas de avaliação foram aplicadas: Formulário com os dados de identificação e Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). A amostra teve maior resultado no sexo feminino com 85,5%. Quanto ao nível de atividade física, 201 (79,13%) são muito ativos e apenas 38 sofreram quedas nos últimos três meses. Ainda foi demonstrado que 50% dos idosos pouco ativos que tiveram quedas, disseram que sua saúde é ruim e que isso dificulta a prática da atividade física.

Ribeiro et al (2008), relata em seu estudo onde foram avaliados 72 pessoas, sendo 51,4% do sexo feminino, com faixa etária entre 60 a 91 anos, que 37,5% relataram ter caído no último ano, 70,4% disseram ter sofrido somente uma queda e 29,6% mais de uma. Para Massud e Morris (2001), pessoas com idade menor que 75 anos têm maior probabilidade de cair em ambientes externos (40,5%) e os idosos com mais de 75 anos caem mais no interior de suas próprias residências (59,5%). Como consequência, 24,3% ainda informaram ter sofrido algum tipo de fratura. O medo de voltar a cair foi referido por 88,5% de 26 idosos que disseram ter tido alguma conseqüência, dentre elas: o abandono de atividades (26,9%), modificação de hábitos (23,1%) e a imobilização (19%).

 

Fatores intrínsecos

Ribeiro et al (2008) demonstra que problemas de saúde foram relatados por 77% dos 72 idosos avaliados. Sendo descritos com problemas cardiovasculares (67,8%), osteomusculares (42,8%) e endócrinos (28,6%). Ainda foram destacados os que tinham algum tipo de deficiência visual (58,3%), problemas de locomoção (38,9%) e problemas nos pés (47,1%).

Podemos listar também a dificuldade de sono, sentimento de tristeza, que podem estar relacionados à depressão, o aumento da frequência cardíaca, perda de apetite, palpitações e agitação, ansiedade, reações adversas por uso de medicamentos, ou sintomas de alguma doença, eventos psicossociais negativos e estresse como fatores que podem levar os idosos a alterar o seu estado emocional e ainda estarem mais vulneráveis a cair. Além disso, as condições ambientais também influenciam esse risco de quedas, tais como a precariedade das moradias improvisadas e que não oferecem as condições necessárias para a sua segurança.

Menezes e Bachion (2008) realizaram outra pesquisa com 95 idosos e no resultado foram descritos 58,9% com pressão alta, 50,5% com problemas de coluna e 45,3% com catarata. Ainda foram relatados 14,8% utilizavam dispositivos para auxilio de marcha, sendo 92,8% bengala e 7,1% andador. Quanto às condições sensoriais, 81,1% apresentavam déficit visual e 19% com déficit auditivo. Foram encontrados também que 91,6% desses idosos usavam algum tipo de medicamentos. Destes ainda, 62,1% não realizavam nenhum tipo de atividade física regular e quanto às dificuldades motoras 90% se manifestaram em relação aos membros inferiores. A suspeita de depressão também foi encontrada em 37,9% e 92,6% apresentaram independência para cinco ou seis atividades.

Existem múltiplos fatores de risco para estas pessoas que podem causar quedas futuras, sendo estas: Presença de doenças ou dificuldades motoras, uso de dispositivos auxiliares de marcha, déficit visual, uso de medicamentos, suspeita de depressão, falta de equilíbrio e passo diminuído.

 

Fatores extrínsecos

Os fatores extrínsecos são aqueles ambientais, que modificam o espaço e que fazem a ocorrência das quedas. Segundo Zinni e Pussi (2003), podemos encontrar problemas como:

1- Superfície do solo:

a) Assoalhos escorregadios (Polidos ou encerados)

b) Tapetes ou tacos soltos

c) Carpete muito espesso

2- Iluminação:

a) Brilho excessivo

3- Escadas:

a) Falta de corrimão

b) Pouca iluminação

c) Degraus soltos

d) Escada rolante

4- Banheiro:

a) Chão escorregadio

b) Falta de barras de apoio

c) Assentos sanitários baixos

5- Quarto:

a) Cama alta

b) Rodas de cama que não travam

6- Outros cômodos:

a) Cadeiras de altura incorreta

b) Falta de descanso de braço nas cadeiras

c) Quinas

d) Prateleiras muito altas

7- Pessoais:

a) Roupas desajustadas

b) Sapatos inapropriados ou gastos

8- Outras causas:

a) Raízes de árvore

b) Subir em ônibus

c) Farol de pedestre muito rápido

d) Animais domésticos

Ribeiro et al (2008), relata que dentre esses fatores os mais listados são: O piso escorregadio na casa (70,6%), piso escorregadio no banheiro (66,2%), calçados inadequados (64,7%) e degraus na soleira da porta (55,9%).

 

Consequências

Para Zinni e Pussi (2003), as quedas trazem muitas conseqüências para a vida de pessoas idosas e são a causa mais comum de fraturas, sendo 53% no sexo masculino e 70% no sexo feminino.

As mais comuns são:

a) Fratura do úmero proximal

b) Fratura de Colles

c) Fratura do fêmur

d) Fratura do colo do fêmur

e) Fratura intertrocantérica

f) Fratura de vértebra

g) Síndrome do imobilismo

As atividades de vida diária mais prejudicadas após as quedas são deitar/levantar, caminhar, tomar banho sozinho, cortar unhas, carregar peso, usar transporte coletivo e subir/descer escadas. (FABRICIO; RODRIGUES; JUNIOR, 2004).

As quedas podem ainda trazer aos idosos o risco de morte e alguns dados mostram que isso ocorre mais entre mulheres que em homens. (SIQUEIRA; FACCHINI; PICCINI, 2007).

 

Abordagem da Fisioterapia na Prevenção

O meio ambiente é associado à qualidade de vida dos idosos, devido à relação com a prevenção de quedas, a interação social, o envolvimento em atividades do cotidiano, a independência, segurança e proteção e o bem-estar psicológico, pois um ambiente propício e satisfatório para o idoso é aquele que oferece segurança, é funcional, proporciona estímulos e controle pessoal, facilita a interação social, favorece a adaptação às mudanças e é familiar para esses indivíduos (RIBEIRO et al, 2008).

A principal medida encontrada é a prevenção de quedas. Se estas ocorrerem partimos do principio de treinar os pacientes sobre como lidar com elas e mais a frente recuperar a segurança e a auto-estima dessas pessoas. Estes são os objetivos da fisioterapia e sendo assim, algo muito importante a se fazer, é trazer a este idoso atividades que aumentem a sua capacidade física e postural, como por exemplo, hidroginástica e ainda exercícios que melhorem a flexibilidade, aumentando assim a amplitude de movimento.

Dessa forma é necessário que se faça um treinamento com pesos, mesmo que estes sejam de cargas pequenas ou ainda exercícios isométricos, para que assim se possa aumentar a força muscular dessas pessoas.

O treinamento resistido vem sendo cada vez mais utilizado, pois dessa forma o grupo muscular é submetido a suportar cargas maiores que aquelas que está habituado, gerando assim aumento do tamanho e conseqüentemente de força. (OKUMA, 1998).

Este treinamento deve ser realizado com sessões de 8 a 10 exercícios com 8 a 12 repetições para cada grupo, sendo pelo menos 2 vezes por semana, com duração de 60 minutos e sessões de relaxamento com mínimo de 48 horas entre cada uma, para que o músculo possa se recuperar e prevenir também o super treinamento. Todos os exercícios devem ser realizados inspirando antes de elevar a carga e expirando durante a contração, podendo assim evitar a manobra de valsalva. (TRIBEES; VIRTUOSO, 2005).

Essa bateria de exercícios deve ser progressiva, com freqüência de 3 vezes por semana e intensidade de 50% de uma repetição máxima, passando para 80% somente nas duas últimas semanas. (SOUZA; MARQUES, 2002). Os exercícios de equilíbrio devem ter duração de 10 a 30 segundos, com 2 a 3 repetições para cada posição adotada, obtendo um total de 10 a 15 minutos. Eles podem ser estáticos ou dinâmicos e devem aumentar o grau de dificuldade e complexidade de cada posição. (BORST, 2004).

Os exercícios terapêuticos na água (Hidroterapia) têm papel importante na prevenção, manutenção e melhora da funcionalidade de pessoas idosas, pois os princípios físicos da água oferecem suporte e minimizam o estresse biomecânico nos músculos e articulações. (YEDA et al, 2006). A água permite o atendimento em grupos e a facilita a recreação e socialização entre essas pessoas. As melhoras funcionais ajudam a elevar a auto-estima e a auto-confiança do idoso em si mesmo. As propriedades físicas da água ainda auxiliam, na movimentação das articulações, na flexibilidade, na diminuição da tensão articular por ser uma atividade de baixo impacto, na força, na resistência, no sistema cardiorrespiratório, no relaxamento e na eliminação de tensões mentais. (ASSIS et al, 2007).

É importante verificar se alguma queda ocorreu no último ano, se o paciente faz uso de algum sedativo ou medicamento mais forte e se isso é freqüente, quais as limitações que dificultam a mobilidade desse indivíduo, avaliar a força nos membros inferiores, dificuldades para sentar e levantar de uma cadeira sem utilizar os braços, se durante a marcha há mudança de direção ou perda de equilíbrio, problemas posturais, como é feita a descarga de peso sobre os pés e se existem problemas de ordem sensorial que alterem a percepção espaço.

O fisioterapeuta deve então traçar atividades onde o paciente tem mais dificuldade, desenvolvendo assim maior estabilidade para este paciente, tendo como intensidade máxima o mais alto nível que essa pessoa puder tolerar. Por isso, devemos exercitar esses indivíduos para que eles possam ficar de pé sem apoio durante suas atividades de vida diária, tenha reações de equilíbrio dinâmico e possa desenvolver um andar de forma firme. Dentre as atividades que podem ser desenvolvidas, podemos listar as caminhadas por longas distancias e com diferentes velocidades, manobras com obstáculos, exercícios de descarga, tomada e transferência de peso. É preciso também que se evite a imobilização desnecessária, porque isso com certeza aumentará o risco de quedas futuras. (ZINNI; PUSSI, 2003).

Devemos fazer orientações a estes pacientes para que mudem seu espaço físico, mesmo que seja difícil para estas pessoas mudarem o local onde vivem. Estas mudanças podem ser descritas como: Mudar móveis e objetos de lugar para que facilite a passagem e melhore a visão do que vêm à frente, os móveis devem estar estáveis para que possam suportar o peso caso esta pessoa venha a se desequilibrar ou preciso de apoio durante a deambulação. Instalar a mobília da cozinha e banheiro na altura adequada também ajuda a reduzir o risco de quedas, assim como colocar faixas antiderrapantes, usar chinelos de borracha e colocar barras de apoio para ajudar a se transferir de um lado para o outro. (ZINNI; PUSSI, 2003).

Se este idoso fizer todas as mudanças necessárias seguindo as orientações do fisioterapeuta e adotar um novo estilo de vida, provavelmente diminuirá o risco de quedas, viverá mais e viverá bem.

Deve-se fazer também um programa que trabalhe a conscientização da sociedade sobre medidas que diminuam os riscos, obras que melhorem e adaptem a infra-estrutura de locais públicos e privados, reduzindo a altura de calçadas muito altas ou mal estruturadas, melhorar os calçamentos públicos, as vias de acesso dos pedestres aos equipamentos públicos urbanos sendo instaladas rampas e corrimãos que facilitem o trânsito de todos, regularizar os sinais de trânsito que são muito rápidos e obrigam a aceleração das passadas além das habituais, conscientização dos motoristas dos transportes públicos sobre o ritmo dos idosos, obrigando os empresários a nivelarem os acessos dos ônibus com a altura das calçadas e ainda o incentivo governamental para a prática de exercícios físicos, maior prevenção nutricional e médica.

Todas estas medidas preventivas podem ser dadas pelo fisioterapeuta através de palestras.


Resultados

Para que o objetivo do presente estudo fosse alcançado, foram encontrados 29 artigos, destes foram selecionados 9, sendo que 4 descrevem sobre o treinamento resistido, 1 relata sobre o treinamento aeróbio, 2 constatam sobre os benefícios da hidroterapia, 1 demonstra o Tai Chi Chuan e 1 sobre as orientações que podem ser feitas com o paciente.

Okuma (1998); Tribees e Virtuoso (2005), descrevem que com o treinamento resistido foi possível melhorar a força muscular e a capacidade funcional.

Ades et al (1996), revelaram que houve melhora significativa da força do quadríceps e do tempo de caminhada suportado pelos idosos, quando comparados em treino com carga e sem nenhum treino.

Souza e Marques (2002), constataram que houve um aumento de 32 a 48% de força muscular.

Lord, Sherrington e Menz (2001), relataram que o treinamento aeróbio também demonstrou resultados significativos, diminuindo assim a taxa de quedas em idosos e modificando os seus fatores de risco, devidos aos ganhos de força, mobilidade articular, velocidade da marcha e melhora no equilíbrio.

Para Yeda et al (2006); Assis et al (2007), os exercícios terapêuticos na água (Hidroterapia) também se fizeram importantes, pois houve melhora da circulação sanguínea, aumento da força muscular, aumento da amplitude de movimento, relaxamento muscular, diminuição da dor, melhora da confiança e da capacidade funcional.

Oliveira et al (2001), revelam que o Tai Chi Chuan, que pode ser aplicado pelos profissionais que possuem o curso específico, também foi eficaz, pois houve redução significativa de adiposidade, efeito positivo de força nos membros inferiores, flexibilidade e equilíbrio e em conseqüência desses fatores a redução do número de quedas em idosos.

Segundo Zinni e Pussi (2003), as orientações também tiveram resultados satisfatórios, pois a fisioterapia não só previne as quedas, mas também diminui a possibilidade desse paciente cair de novo, a gravidade das consequências e acelera a recuperação.

Conclusão

A partir do trabalho realizado é possível concluir que a fisioterapia é mesmo eficaz na prevenção de quedas em idosos, desde que seja feita uma abordagem adequada com esta população. É importante lembrar que o fisioterapeuta tem que ter a consciência de que cada indivíduo é diferente do outro, possui uma história única e por isso é preciso que se respeite e considere a individualidade de cada um. Medidas tais como, orientações para o idoso sobre o risco de cair, avaliação geriátrica global, juntamente com a avaliação oftalmológica, auditiva e da cavidade bucal, avaliação dos pés que fazem parte da correção dos fatores intrínsecos são muito importantes, assim como também os exercícios físicos, a terapia ocupacional e correção de fatores extrínsecos. Dessa forma podemos prevenir que esses acontecimentos ocorram ou sejam recorrentes contribuindo assim para uma melhora da qualidade de vida desta população.


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- Publicado em 30/04/2014.


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