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Estudo das Alterações da Função Sexual nos Homens Paraplégicos entre 18 e 50 anos com Lesão Medular Traumática Incompleta E-mail
Avaliação do Usuário: / 2
PiorMelhor 

 

Research (or Study) about the alterations of the sexual function in paraplegic men between 18 and 50 with incomplete traumatic spinal injury

 

Trabalho realizado por:

Itanna Lustosa de Paula Dias.

Curso de Fisioterapia da Faculdade Integrada do Ceará.

Contato: ilustosinha@hotmail.com

 

Orientador:

Cristiano Teles de Sousa.

Ms em Farmacologia da Faculdade Integrada do Ceará - (UFC).

 

Resumo

 

Este artigo apresenta um estudo sobre as alterações da função sexual em homens entre 18 e 50 anos com lesão medular traumática incompleta. À lesão medular traumática está mais associada a recursos ambientais e violência urbana do que às características da lesão. As variáveis influentes no enfrentamento e os fatores de sucesso no processo adaptativo à lesão permitem sugerir focos prioritários para a reabilitação. Neste trabalho a sexualidade masculina é discutida a partir da condição de um homem com lesão medular traumática incompleta. Seu objetivo foi investigar o as alterações da função sexual em homens 18 a 50 anos com lesão medular traumática incompleta. É um estudo descritivo com uma abordagem quantitativa e coletou-se a história de vida por meio de um questionário com 21 perguntas objetivas. As categorias sinalizaram o processo de negativação da diminuição da freqüência de relações sexuais, aumento das disfunções sexuais, após a lesão medular, e tendo como resultado positivo a não diminuição do desejo sexual após a lesão medular. Observamos que houve uma divergência nos resultados, com as conseqüências após a lesão, relacionada com a atividade sexual, a satisfação e o desejo desses voluntários. Portando foi concluído que os voluntários não se expressaram de forma verdadeira, sobre sua satisfação e desejo sexual após a lesão medular, podendo ter interferência no tempo da lesão, no local de estudo, de como a pesquisa foi abordada, o nível socioeconômico e no grau de escolaridade. Em outra visão, concluímos que a maioria dos voluntários podem ter se adaptado à nova vida, se conformaram com as conseqüências e impactos da lesão medular fisicamente e psicologicamente, adaptando as suas dificuldades e dependências em relação à vida sexual após a lesão medular.

Palavras-chaves: Lesão Medular, função sexual, paraplegia.

 

Abstract

 

This article presents a study on the alterations of sexual function in men between 18 and 50, with partial spinal injury. Spinal injuries are often associated to environment resources and urban violence than injury characteristics. The support of the family and friends interferes psychologically in the man with spinal injury. It helps the paraplegic to face the consequences of the post traumatic injury, becoming a factor of success in the process of adaptation to the problem. In this work, male sexuality is discussed starting with the condition of a man who has suffered from partial spinal injury. The goal is to investigate the sexual alterations in men between 18 and 50 with partial spinal injury. The chosen method is a descriptive study with a quantitative approach, and their history has been recorded through a questionnaire with 21 objective questions. The characteristics show signs of negativation in the diminishing of sexual intercourse frequency, an increase in sexual dysfunctions after the spinal injury, and as a positive result, the non-diminishment of sexual desire after spinal injury. It was observed that there was a discrepancy in the results related to the consequences after the injury, also with sexual activity, satisfaction and the sexual appetite of the volunteers. It’s concluded that the volunteers did not express themselves in a trustable way about their satisfaction and sexual desire after the spinal injury. That may have happened due to the period the volunteers suffer with the injury, the place where the inquiry was accomplished, their socioeconomic level and their limited level of instruction. It may be concluded that the majority of the volunteers may have been adapted to the post spinal injury life, in a way they seem to be suited physically and psychologically to the consequences and impacts brought by the injury, adapting their difficulties and dependencies related to their post injury’s sexual life.

Keywords: Spinal Injury, sexual function, paraplegia.


Introdução

A lesão medular é um processo de origem traumática ou não traumática que acomete a medula espinhal, podendo provocar alterações sensitivas, viscerais e motoras temporárias ou permanentes.

A lesão medular é uma das formas mais graves entre as síndromes incapacitantes. O processo de reabilitação é longo e um desafio para profissionais e para o próprio paciente. Essa dificuldade deve-se à importância da medula espinhal que regula não só as funções motoras, mas também as funções respiratórias, circulatórias, excretoras, sexuais e térmicas.

As principais causas da lesão medular traumática são acidentes automobilísticos, ferimentos por arma de fogo, quedas ou acidentes em mergulho. A agressão traumática resulta em secção ou dilaceração parcial ou completa dos feixes nervosos da medula espinhal, implicando perdas sensoriais, motoras, sexuais, descontrole dos esfíncteres da bexiga e do intestino e complicações potenciais nas funções respiratória, térmica e circulatória, espasticidade e dor.

A lesão vertebro-medular pode ocorrer em diversos níveis e formas, por diversas causas. Conforme a altura na medula e gravidade da lesão haverá mais ou menos comprometimentos dos movimentos, sensibilidade, controle de esfíncteres, funcionamento dos órgãos, circulação sanguínea, alterações sexuais, pois, além da lesão na medula, pode ocorrer também uma lesão no sistema nervoso autônomo ou alterações no mesmo, devido à lesão causada pela mesma.

Além dos aspectos físicos que podem ser alterados pela lesão medular, é preciso considerar os aspectos de natureza emocional e o conceito de sexualidade. Podem aparecer os sentimentos de vergonha, medo, considerando alguns que sua deformidade venha a ser motivo de rejeição social e sexual, podendo acarretar em isolamento por parte do portador de lesão medular, contribuindo para dificuldades no ajuste sexual.

A disfunção sexual em lesados medulares pode ser resultado da disfunção neuromuscular ou obstruções recorrentes de infecções urinárias.

A lesão traumática é causa mais freqüente de lesão em populações de reabilitação de adultos. Eles resultam da lesão causada por um evento traumático como acidente automobilístico, queda ou ferimento por arma de fogo.

As principais causas da lesão medular traumática são acidentes automobilísticos, ferimentos por arma de fogo, quedas ou acidentes em mergulho. A agressão traumática resulta em secção ou dilaceração parcial ou completa dos feixes nervosos da medula espinhal, implicando perdas sensoriais, motoras, sexuais, descontrole dos esfíncteres da bexiga e do intestino e complicações potenciais nas funções respiratória, térmica e circulatória, espasticidade e dor.

As lesões incompletas são caracterizadas pela preservação de alguma função sensorial ou motora abaixo do nível da lesão. Essa preservação de função indica que algum tecido neural viável está cruzando a área de lesão, indo para os segmentos mais distais.

A sexualidade é mais que um ato sexual, que envolve os elementos nos quais se relacionam traduzindo ternura, desejo, dar e receber prazer partilha de sentimentos, formas de comunicação verbal ou não. A sexualidade é transmitida através de cognições e comportamentos que vão de influência interpessoal ao prazer.

Falar sobre sexualidade humana, ou seja, sexo propriamente dito, sempre foi um tabu na vida do ser humano, alias tudo que é desconhecido gera insegurança e medo. E se tratando de sexualidade de uma pessoa que sofreu um trauma medular é ainda maior a tabu por haver certa dose de desinformação e preconceitos que são gerados por culpa de uma cultura em relação ao sexo.

Em conseqüência de danos neurológicos, o portador de lesão medular sofre alterações na sua função sexual, interferindo na ereção, ejaculação, orgasmo e fertilização, de acordo com o grau e nível da lesão.

Assim como ocorrem alterações motoras, sensitivas, vesicais, intestinais, vasculares, autonômicas, musculoesqueléticas, também ocorrem alterações na função sexual nos portadores de lesão medular. Do ponto de vista do desejo sexual e da sexualidade o paciente mantém sua identidade, no entanto do ponto de vista físico algumas alterações podem ocorrer no sexo masculino, relacionadas com o desejo sexual, ereção, ejaculação precoce, orgasmo e o emocional.

Com o objetivo de aprofundar mais os conhecimentos em relação às disfunções sexuais do portador de lesão medular traumática pretende-se estudar e analisar as disfunções sexuais, as causas, a freqüência de relações sexuais, o desejo sexual, a satisfação sexual e o emocional antes e após a lesão medular. Utilizou-se nesta pesquisa, como instrumento de coleta de dados, um questionário contendo 21 questões relacionadas com a vida sexual antes da lesão medular e alterações sexuais após a lesão do portador de lesão medular traumática incompleta, sendo aplicado o questionário em dezesseis voluntários da Associação dos Deficientes Motores do Ceará-ADM.

 

Métodos

É um estudo do tipo descritivo, transversal com análise quantitativa, de caráter amostral.

O estudo foi desenvolvido na Associação dos deficientes Motores do Ceará-ADM, situado na Avenida Tristão Gonçalves, 1121, cidade de Fortaleza, Bairro Centro. A escolha da instituição é motivada pelo fato da Associação de Deficientes Motores preencherem todos os quesitos necessários para o desenvolvimento da pesquisa. Os dados foram coletados no período de Agosto à Outubro de 2009. Após ter sido aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade Integrada do Ceará.

Participaram deste estudo, voluntários, sendo homens paraplégicos entre 18 e 50 anos, do sexo masculino, com lesão medular traumática, com o tempo de lesão de no mínimo três meses, com uma amostra estimada de 20 pacientes, que estavam realizando o tratamento de Fisioterapia no período da coleta de dados e que concordaram em participar do estudo assinando um termo de consentimento livre e esclarecido. (APÊNDICE B).

Foram excluídos do estudo aqueles pacientes que não responderam o questionário adequadamente, se sentiram constrangidos ou abalados emocionalmente.

Após a de autorização da instituição foi feito um contato informal com algumas pessoas com lesão medular traumática incompleta, informando-as sobre os objetivos, riscos, benefícios, procedimentos e finalidades do trabalho. Por conseguinte, foi entregue aos voluntários que aceitarem participar da pesquisa um termo de consentimento livre e esclarecido, onde consta a assinatura dos mesmos em duas vias e deixando claro que não terão gastos financeiros nem prejuízo de qualquer gênero e as informações obtidas serão mantidas somente para a fonte de pesquisa deste estudo posteriormente foi aplicado o questionário.

O questionário foi aplicado no período de Agosto à Novembro de 2009, sendo composto de 21 perguntas objetivas que analisam a vida sexual do portador de lesão medular traumática incompleta antes e após o trauma, se houve alterações na função sexual, os sentimentos desse portador de Lesão Medular Traumática, a satisfação sexual antes e após a lesão, aspectos físicos, os desejos e os comprometimentos do lesionado medular.

Os voluntários que se sentissem constrangidos, incomodados poderiam desistir a qualquer momento de responderem o questionário, sem penalidade no tratamento e sem nenhum custo.

A análise dos dados coletados foi organizada em forma de gráficos e tabelas elaboradas no programa Microsoft Excel 2007, para mostrar as alterações sexuais nos portadores de lesão medular traumática incompleta.

A pesquisa somente foi iniciada após aprovação do Comitê de Ética da Faculdade Integrada do Ceará protocolo 069/09.

 

Resultado e Discussão

Ao observar o gráfico 1, observou-se que 37% (maior números de indivíduos) dos lesionados medulares desta pesquisa possuíam idades entre 25 e 31 anos, e 6%(menor número de indivíduos) idades de 45 à 50 anos.No gráfico 2 observamos que o maior número de indivíduos (38%) obtiveram a lesão medular em conseqüência de acidente automobilístico e o menor número de voluntários adquiriram lesão medular por lesões no esporte e queda. A lesão traumática medular encontra-se atualmente como um grande problema na Saúde Pública no Brasil, onde se pode observar um índice elevado de pacientes que apresentam lesão medular, sendo a maioria jovem, com predomínio do sexo masculino, e no auge de sua produtividade. O índice de morbidade e mortalidade é elevado e sua incidência aumenta cerca de 4%. Em outro estudo, as lesões medulares são cada vez mais freqüentes devido, principalmente, ao aumento da violência urbana. Os acidentes de trânsito e os ferimentos por arma de fogo são suas causas mais comuns. O traumatismo da medula pode resultar em alterações das funções motora, sensitiva e autônoma, implicando a perda parcial ou total dos movimentos voluntários ou da sensibilidade (tátil, dolorosa e profunda) em membros superiores e /ou inferiores e alterações no funcionamento dos sistemas urinário, intestinal, respiratório, circulatório, sexual e reprodutivo.

 

 

 

Ao observar os gráficos 1 e 2, as proporções similares das faixas mais jovens e das causas violentas (acidente automobilístico, armas de vários tipos) parecem sugerir que há uma correlação. No entanto, o gráfico 3 demonstra que há predominância de causas violentas em todas as faixas etárias, com lesões por queda e acidentes no esporte ocorrendo entre os 25 e 38 anos. Os acidentes automobilísticos se encontram distribuídos quase que uniformemente entre todas as faixas etárias, tendo uma concentração ligeiramente maior apenas na faixa mais jovem. Estes tipos de lesões medulares são geralmente resultado de eventos catastróficos, cujas causas mais freqüente são acidentes automobilísticos, ferimentos por armas de fogo, quedas em atividades recreativas ou esportivas.

 

 

No gráfico 3, verificamos as causas e faixa etária dos voluntários questionados nesse estudo.Observamos que os indivíduos de 45- 50 anos ,um voluntário obteve a lesão medular por acidente automobilístico.Os voluntários com idades de 39-45 anos ,um individuo por acidente automobilístico e dois por arma de fogo.Nos voluntários com idades de 32-38 anos ,um individuo obteve a lesão por acidente automobilístico e um por queda.Já nos voluntários com 25-31 anos a causa da lesão foi por acidente automobilístico (um voluntário),dois indivíduos por arma branca,dois por arma de fogo e um individuo teve como causa a lesão por queda.Nos voluntários mais novos ,com idades de 18-24 anos ,a causa da lesão medular foi decorrente de acidente automobilístico,um por arma de fogo,um por arma branca.Podemos observar que dos 16 voluntários questionados 6 (37,5%),a causa da lesão medular foi decorrente de acidente automobilístico.Já cinco voluntários dos 16 tiveram como causa da lesão medular arma de fogo,três por arma branca ,um por lesão no esporte e um por queda. Observamos que houve uma correlação entre faixa etária e a causa da lesão medular, para causas violentas (armas de fogo e armas brancas), predominando as duas faixas etárias mais jovens (indivíduos de 18-31 anos). Não houve correlação entre faixa etária e as causas da lesão medular para acidentes automobilísticos. A distribuição dos acidentes automobilísticos entre as faixas etárias é quase completamente uniforme, tendo apenas uma concentração pouco maior na faixa etária mais jovem (18-24 anos). O espaço amostral não foi amplo o suficiente para se analisar a correlação entre faixa etária e acidentes no esporte ou quedas. A lesão medular é uma situação patológica freqüente no nosso país, e no mundo, basta pensar na alta taxa de acidentes automobilísticos, atingindo principalmente o adulto jovem.

Dentre as causas da lesão medular, o acidente de trânsito e a agressão por arma de fogo são as mais comuns. Os pacientes acometidos, em sua maioria, são jovens, do sexo masculino, solteiros e residentes em áreas urbanas. Tais lesões geram uma incapacidade de alto custo para o governo e acarreta importantes alterações no estilo de vida do paciente. Ela causa perda parcial ou total da motricidade e sensibilidade, além de comprometimento vasomotor, intestinal, vesical e sexual.

Apesar de a maioria dos voluntários terem uma redução na freqüência de atividades sexuais (apenas um manteve a freqüência e um aumentou), vemos no gráfico 6 que a exata metade dos voluntários continua sentindo muito desejo sexual (todos, sem exceção, pertenciam a este grupo antes da lesão). Cinco voluntários sentem pouco desejo, havendo melhora durante a relação.

É interessante notar que não há correlação entre a idade do voluntário e o desejo sexual. O único voluntário que não sente desejo tem 24 anos, enquanto o grupo que sente muito desejo possui representantes de todas as faixas etárias.

O desejo sexual humano ativa-se a estímulos externos concretos ou por fantasias que remetem a situações agradáveis vivenciadas. É o cérebro que recebe esses estímulos e produz reações neuroquímicas, transmitindo comandos para todo o corpo. Se essas reações não ocorrem de maneira eficaz, o desejo sexual está ausente.

 

 

 

 

No gráfico 4, nota-se que antes da paraplegia nenhum voluntário tinha diminuição do prazer ou dificuldades de ejaculação. Apenas um voluntário relatou dificuldades relacionadas à ereção e para chegar ao orgasmo. Após a lesão, todos esses problemas se tornaram predominantes.

Já 62% dos voluntários têm dificuldades de ereção, e 81% não conseguem ejacular. Isso condiz com a taxa de fatores de redução de atividade sexual devido ao controle dos órgãos sexuais, de 75%, do gráfico anterior – o que leva a crer serem estes problemas a principal causa da redução da atividade sexual. Já 87,5% não conseguem alcançar o orgasmo e tem o prazer diminuído, o que também condiz com a taxa de 100% que disse ter redução na sensibilidade no gráfico anterior.

A diferença entre as duas últimas taxas indica que o prazer obtido na relação sexual é muito dependente da sensibilidade, embora não seja exclusivamente dependente desta. 12,5% dos voluntários continuam sentindo prazer normalmente, mesmo tendo a sensibilidade diminuída. No entanto, não foi feito um estudo sobre o grau de diminuição da sensibilidade, o que poderá ser feito em um estudo futuro.

A lesão medular é a interrupção de feixes nervosos que saem de cérebro e passam dentro do canal medular percorrendo toda coluna vertebral. Esta lesão causa alterações fisiológicas, levando o organismo a não responder de forma adequada às sensações, como perda de sensibilidade e dos movimentos.

Em conseqüência de danos neurológicos, o portador de lesão medular sofre alterações na sua função sexual, interferindo na ereção, ejaculação, orgasmo e fertilização, de acordo com o grau e nível da lesão.

 

 

 

 

No gráfico 5 observamos que 68,75% (11 voluntários) estavam satisfeitos com sua vida sexual, já 31,25% (5 voluntários) consideravam sua vida sexual como “boa”,nenhum dos voluntários se consideravam insatisfeitos.Após a lesão medular 43,75(7 voluntários) consideravam sua boa ,31,25%(5 voluntários )insatisfeitos e 25% (4 voluntários) consideram “ruim”.

Antes da lesão, todos os voluntários tinham uma vida sexual satisfatória ou boa. A maior quantidade de voluntários com uma vida sexual boa após a lesão se dá pela migração do grupo que era anteriormente muito satisfeito.

Apenas um quarto dos voluntários disse ter uma vida sexual ruim após a lesão. Essa é uma proporção próxima a dos que relataram sentir pouco ou nenhum desejo sexual no gráfico 6, onde três voluntários relataram essas condições.

 

 

Apesar de a maioria dos voluntários terem uma redução na freqüência de atividades sexuais (apenas um manteve a freqüência e um aumentou), vemos no gráfico 6 que a exata metade dos voluntários continua sentindo muito desejo sexual (todos, sem exceção, pertenciam a este grupo antes da lesão). Cinco voluntários sentem pouco desejo, havendo melhora durante a relação.

É interessante notar que não há correlação entre a idade do voluntário e o desejo sexual. O único voluntário que não sente desejo tem 24 anos, enquanto o grupo que sente muito desejo possui representantes de todas as faixas etárias.

As alterações sofridas com a lesão, não significam perda da sexualidade, tendo em vista que a expressão da sexualidade é um elemento constituinte do “viver” do ser humano, como já dito anteriormente. Existem diversas técnicas, graças aos avanços da ciência e da tecnologia, que visam facilitar o ato sexual e a fertilização. Essa variedade de técnicas permite a adequação às condições e necessidades de cada indivíduo.

 

 

 

 

No gráfico 7, podemos observar que houve uma variação significativa da freqüência de relações sexuais antes e após a lesão medular.Observamos que os voluntários “A ,B e I”,tinham uma freqüência de quatro ou mais relações sexuais por semana,após a lesão esses pacientes reduziram sua atividade sexual para uma vez por semana.Obtendo uma redução de 75% na freqüência de relações sexuais semanais.Os voluntários “C,G e P” tinham uma freqüência de três relações sexuais semanais e tiveram uma redução de 25% (duas relações semanais).Os voluntários “K,M e O” tinham uma freqüência de três relação semanais e reduziram para uma vez por semana.O voluntário “D”,possuía uma vida sexual com freqüência de quatro vezes na semana ,diminuindo para três vezes semanais.Já p voluntário “E”,reduziu sua atividade sexual em 50% após a lesão medular.O voluntário “F” relata que não houve variação de freqüência após a lesão,tendo relação duas vezes semanais antes e após a lesão.O voluntário “H”,teve um aumento de 50%¨na freqüência de relação sexual após a lesão medular ,passando de duas para três relações por semana.O voluntário “ J” não houve variação da freqüência ,relatando uma boa vida sexual tanto antes como após a lesão medular ,relata quatro ou mais relações sexuais semanais.O voluntário “L”,obteve uma melhora da atividade sexual após a lesão medular,antes do trauma voluntário possuía uma vida sexual três vezes semanais ,após a lesão houve uma melhora de três para quatro vezes por semana.Já o voluntário “N”,tinha uma freqüência de quatro vezes por semana ,após a lesão esse paciente não consegue mais ter relação sexual,relata que sua atividade sexual uma vez ou nem ocorre durante a semana.

Ducharme et al relatou em 1992 que 60% dos pacientes com lesão medular tinham ereções, mas somente 40% destes homens eram capazes de manter relações sexuais. (15) Outros centros médicos referem-se à existência de ereções em 54% a 92% de seus pacientes com lesão medular acima do arco sacral, porém estes trabalhos não detalham nível e extensão exata das lesões, nem freqüência e satisfação de relações sexuais.

 

 

 

 

No gráfico 8, vê-se que nenhum voluntário relatou fatores relacionados à auto-estima, aspecto físico ou fatores fisiológicos antes das lesões. Já 43% relataram nunca ter tido nenhum fator redutor de atividade sexual antes da lesão, enquanto os 57% restantes possuíam fatores não relacionados no questionário. Após a lesão, no entanto, todos tiveram fatores redutores de atividade sexual. Todos tiveram diminuição da sensibilidade e 75% têm problemas de controle dos órgãos sexuais. 50% dos voluntários têm problemas de auto-imagem, e 50% têm como fator redutor também o aspecto físico. Em um estudo, qualquer pessoa que sofreu algum dano na medula espinal, além de comprometimento da sensibilidade, locomoção, funções intestinais e urinárias, independente da região lesionada, também acomete a função sexual. Como todo indivíduo é único, uma lesão também se caracteriza de forma única e suas alterações, comprometimentos e seqüelas são bastante peculiares fazendo com que cada pessoa reaja de maneira diferente por mais semelhante que seja a lesão.  Em outro estudo, o impacto da lesão medular sobre a função sexual está estreitamente relacionado à visão que o indivíduo tem de si próprio, de sua imagem corporal e de sua auto-estima, e será imensamente influenciado por sua confiança nos relacionamentos interpessoais.


Conclusão

O objetivo da pesquisa foi analisar as alterações sexuais em homens paraplégicos com lesão medular traumática incompleta. Nesta perspectiva, buscamos desenvolver a interpretação das experiências sexuais de voluntários entre 18 e 50 anos vitimas de lesão medular.

Os voluntários possuíam uma vida sexual ativa e plena antes da lesão medular. A paraplegia não interrompeu completamente a vida sexual desses indivíduos. Os entrevistados passaram a sofrer alterações sexuais, tiveram a freqüência de relações geralmente reduzidas, com diminuição da satisfação sexual, porém o desejo sexual foi mantido em mais da metade dos casos.

Neste estudo podemos concluir que a maioria dos voluntários com lesão medular traumática incompleta, são jovens e estão no auge da sua produtividade, sendo as causas principais por acidentes automobilísticos e arma de fogo.

Concluindo que o grupo pesquisado possui um nível socioeconômico baixo, uma vida financeira precária, baixo grau de escolaridade, onde observamos uma interferência desses fatores supracitados, pois os voluntários questionados relataram ter como causas da lesão medular, violências urbanas, como assaltos, brigas, rachas de carros, na maioria tendo ingerido bebida alcoólicas e entorpecentes. Corroborando assim, no aumento de lesão medular em indivíduos mais jovens, por causas de violência por arma de fogo e acidentes automobilísticos.

Podemos colacionar os resultados da pesquisa, chegando a uma conclusão de que houve diminuição em todos os voluntários da sensibilidade, a maioria possui dificuldade de controle de órgãos sexuais, a auto-estima e o aspecto físico também interferem na redução da atividade sexual após o trauma. Houve também diminuição do prazer, dificuldade de chegar ao orgasmo e obter ereção, mais da metade dos indivíduos não conseguem ejacular, correlacionando com a insatisfação sexual na maioria dos indivíduos questionados e diminuição do desejo na metade dos pesquisados. Observamos então que como é que esses indivíduos relataram ter tantas disfunções sexuais após o trauma e quase a metade possui satisfação “boa” após a lesão medular. Observamos que houve uma divergência nos resultados, com as conseqüências após a lesão, relacionada com a atividade sexual, a satisfação e o desejo desses voluntários.

. Podemos sugerir que os voluntários não se expressaram de forma verdadeira, sobre sua satisfação e desejo sexual após a lesão medular, podendo ter interferência no tempo da lesão, no local de estudo, de como a pesquisa foi abordada, o nível socioeconômico e no grau de escolaridade.

Em outra ótica, constata-se que a maioria dos voluntários podem ter se adaptado à nova vida, se conformaram com as conseqüências e impactos da lesão medular fisicamente e psicologicamente, adaptando as suas dificuldades e dependências, assim com essa adaptação ,mais da metade dos voluntários estavam satisfeitos com a vida sexual após a lesão.Como foi relatado nos parágrafos a cima,podemos sugerir que esses indivíduos não se expressaram de forma verdadeira ou se adaptaram a lesão, aceitando de forma positiva as conseqüências após o trauma ,mesmo com todas as alterações sexuais ,se sentindo satisfeitos com sua vida sexual após a lesão medular.

Considera-se que se esse estudo fosse abordado de outra forma, com relatos das atividades sexuais da parceira, com outros grupos de voluntários, nível educacional, social e cultural diferentes dos pesquisados, acreditamos que os resultados seriam diferentes. No entanto não abordamos esses itens supracitados, o que poderá ser feito em um estudo mais aprofundado no futuro.

 

 

Referências

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2FERNANDES, A.C.;RAMOS,A.C.R.;CASALIS,M.E.P.;HEBERT,S.K. AACD medicina e reabilitação 4ed.São Paulo.Editora:Artes Médicas,cap.11,p.190-205,2007.

3Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Mapa da morbidade por causas externas. Disponível em www.sarah.br, acesso em 18/09/2009.

4UTIDA, C.; TRUZZI, J.C.; BRUSCHINI, B. CEDENHO, A.; SROUGI, M. Male infertility inspinal cord injury. Coluna/columna - ano 3 (3) -setembro-dezembro 2004.

5COLE T.M.; S. S-Reabilitação de problemas da sexualidade nas incapacidades físicas: Tratado de Medicina de Reabilitação. São Paulo, Manole, cap.47, p917-934, 1986.

6MAIOR I.M.M.L. Reabilitação Sexual do paraplégico e tetraplégico. Rio de Janeiro, Revinter, 1998.

7O´SULLIVAN, S.B., SCHMITZ, T.J. Fisioterapia: Avaliação e Tratamento. 4 ed. São Paulo,2004.p.873-923.

8MURTA, A.C.; GUIMARÃES, B.G. Enfrentamento à lesão medular traumática, Estudo de Psicologia-Universidade Federal de Natal vol.12 n° 01 Jan./Abr.2007.

9RODRIGUES, B.G.S.; BRITO C.S.; BARROS, C.F. 2006. Lesão Medular Espinhal. São Paulo, Jul.2006. Disponível em: <http://www.fisioweb.com.br.>.Acesso em 12 mai. 2009.

10CARVALHO, Z.M. F.; DAMASCENO, M.M.C. Viva bem com sua lesão vértebro-medular. Portugal: CAPES, 2 ed , 2003. p.96.

11LIANZA, S.; CASALIS, M.E.; GREVE, J.M.D.; EICHBERG, R. A lesão medular. Medicina de Reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001.p 301.

12GREVE, J.M.D.; CASTRO, A.W. Avaliação clinica e funcional da lesão medular - Diagnostico e tratamento da lesão da medula espinal. São Paulo. Roca; 2001.p.65-74.

13ATRICE, M.B.; Morrison, S.A.; MC Dowell, S.L.; Shandalov, B. Lesão Medular Traumática. Reabilitação Neurológica. 4 ed.São Paulo:Manole,2004.

14CAVALCANTE, K.M. H.; CARVALHO, Z.M. F; BARBOSA, I.V.; STUDART, R.M.B. Alterações na fertilidade vivenciadas por pessoas com lesão medular - uma pesquisa qualitativa. 2007.102f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização)-Universidade de Medicina-Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, 2007.

15DUCHARME, S. GILL, K. BIERNER-BERGMAN, S. FERTITTA, L. Função Sexual: aspectos clínicos e psicológicos. Medicina de Reabilitação: princípios e praticas. São Paulo, Manole, cap.27, p.601-621, 1992.

16CASALIS, M. E. P. Sexualidade no paciente paraplégico. In: D'ANCONA, C. A. L.; NETTO Jr.; N. R. (Ed.). Aplicações clínicas da urodinâmica. São Paulo: Atheneu, 1995. p. 295-310.

17SPIZZIRRI, Giancarlo. A função Sexual em pacientes portadores de lesão medular, São Paulo, 18 jul. 2007. Disponível em: < http://www.bireme.br/php/index.php>.Acesso em: 12 mar.2009.

 

 

Obs:

- Todo direito e responsabilidade do conteúdo é de sua autora.

- Publicado em 25/09/2014.


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